Projetos de 
Valorização do Marabaixo

      Antes mesmo da obtenção do registro concebido pelo IPHAN, já se voltava os olhos para a manutenção da manifestação popular. Alguns projetos começaram a abrir as portas para despertar em uma maior parcela da comunidade amapaense o sentimento de pertencimento à esta cultura tão rica. Um destes projetos de valorização e popularização é o Banzeiro do Brilho-de-Fogo, que desde 2015 reúne centenas de pessoas em uma praça na cidade de Macapá, oferecendo oficinas rítmicas e de dança. Desde o primeiro cortejo até hoje estima-se que cerca de duas mil pessoas já participaram do projeto, entre batuqueiros, açucenas (dançadeiras) e simpatizantes.

      Segundo Paulo Bastos, produtor musical e um dos idealizadores do projeto, a ideia teve como fonte de inspiração o tradicional “Arraiá do Pavulagem”, que saí pelas ruas de Belém fazendo um cortejo apresentando diferentes ritmos paraenses. “O Banzeiro é um fio condutor entre a cultura tradicional e os movimentos populares, nosso intuito é fazer com que o som do Banzeiro seja ecoado de forma positiva permitindo a todos o acesso à cultura, a vivência do que é o Marabaixo, que é a maior de nossas essências”, complementou Paulo Bastos.

      Segundo Paulo Bastos a criação do Banzeiro do Brilho-de-Fogo partiu do poder público sendo uma ideia do prefeito Clécio Luis em conjunto com os coordenadores Pedro Bolão de oficinas de confecção de instrumentos, Melissa Bastos de artesanato e identidade visual, Paulo Bastos coordenador das oficinas rítmicas, produtor musical e regente dos batuqueiros, o presidente Adelson Preto, Ricardo Iraguany responsável pelo cortejo, Nena Silva auxiliar de regência dos batuqueiros e os instrumentos utilizados no projeto são confeccionados pelos artesãos Pedro Bolão, Dô Sacaca e Jacundá.

   A prefeitura ofereceu o suporte necessário para que projeto pudesse acontecer e a partir disso foram pensadas formas em como passar essa cultura para a população. O projeto que acontece na praça Floriano Peixoto, oferece primeiro a oficina para que a população aprenda a tocar a caixa de marabaixo e depois o ensaio geral. Durante a entrevista quando Paulo Bastos é indagado se o projeto tem a possibilidade de sair 

da praça e começar a funcionar em outro local, o produtor afirma que não. “Eu acho que o Banzeiro não funcionaria em outro local, porque a praça, a importância da praça é justamente isso, um ajuntamento de pessoas, um local de protestos, local onde as pessoas vão para confraternizar com a família e a gente tem essa ligação com a praça porque foi aonde começou e para onde sempre volta, a gente fica parado um tempo, mas depois sempre volta”, pontuou.    

 

     O Banzeiro tem 3 apresentações oficiais no seu calendário durante o ano, a primeira sendo o cortejo no dia do aniversário do município de Macapá, a segunda o cortejo realizado no distrito de Fazendinha no Macapá Verão e a terceira o cortejo em comemoração à data de fundação do projeto. A forma como o banzeiro é realizado em uma praça chama a atenção da população que se aproxima para conhecer, aprender a tocar, aprender a dançar, sendo um projeto que promove a difusão da cultura do marabaixo no estado, além de contribuir para a relação de pertencimento e autoidentificação. Mas outro projeto também tem o objetivo de fortalecer a identidade do povo amapaense com o marabaixo, o projeto Cantando Marabaixo nas Escolas, coordenado por Carlos Piru.

      O projeto Cantando Marabaixo nas Escolas vem ganhando mais força a cada nova edição, realizado desde 2017 pelo Movimento Nação Marabaixeira. “Tivemos a percepção de que se a gente pegasse a musicalidade do marabaixo e trabalhasse ela dentro das escolas, iríamos chamar mais atenção dos jovens, por isso, além de palestras nós desenvolvemos as oficinas: oficina musical, de ritmo, toque de marabaixo, de canto e de composição”, afirmou Pirú.

      Desde 2017, já foram realizadas três edições do projeto que culminaram com a gravação e lançamento de CD com as músicas compostas nos festivais. Somente em 2019 cerca de 50 pessoas entre alunos, professores e pais participaram do projeto. O Festival Cantando Marabaixo nas Escolas empolgou os participantes do projeto que ficaram mais empenhados para fazer uma bela apresentação. O Movimento Nação Marabaixeira ficou responsável pela gravação junto à gravadora e pela prensagem do CD, já as escolas ficaram responsáveis por pagar a gravação dos seus alunos.

     Em 2018, o projeto que já estava em sua segunda edição alcança mais uma conquista e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido. De acordo com Carlos Pirú ao final da segunda edição do festival, as inscrições para o prêmio do Ministério da Cultura estavam se encerrando e com o incentivo dos colegas ele aceitou inscrever o projeto. “Quando foi em setembro nós recebemos o primeiro sinal de que fomos classificados e uns 20 dias depois recebemos o resultado final que nós tínhamos sido premiados com um prêmio Nacional de um grande projeto e isso me deu mais confiança”, contou.

      O Prêmio Cultura Popular Selma do Coco que receberam do Ministério da Cultura os incentivou a continuar com os trabalhos desenvolvidos com crianças e jovens. Assim, o projeto visa promover a identidade cultural dentro das escolas, algo inovar, pois antigamente não era ensinada a cultura do marabaixo dentro das escolas, muitas vezes era ensinada a cultura de outros estados, menos a do próprio Amapá.

      Os projetos promovidos para a difusão da cultura do marabaixo são fundamentais, mesmo que ainda não consigam atingir toda a população fazem a diferença. O incentivo e a propagação do marabaixo é primordial, a partir do título de Patrimônio Imaterial Cultural do Brasil se tornaram mais necessárias ainda a sua divulgação. 

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